sábado, 13 de julho de 2013

O Tecelão e eu

Olá amores antigos e novos. Quero agradecer primeiro a cada novo leitor,que ao chegar aqui tornou-se um seguidor. Fiquei tão emocionada ao ler os comentários que emudeci, deu branco nos pensamentos, ou melhor, só pensava em como Deus coloca pessoas maravilhosas em meu caminho.
E isso me remete ao texto que coloquei no caderno que foi lembrança nos cadernos que levei para Santos.

Descrição da imagem: Tear primitivo utilizado por nômades. Créditos na própria imagem.

Para quem não conhece segue o texto abaixo:

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"Minha vida é apenas uma tela entre mim e meu Deus.
Eu não escolho as cores, Ele trabalha sem cessar.

Muitas vezes Ele tece tristeza e eu, em tolo orgulho
esqueço que Ele vê o direito e eu, o avesso.

Só quando estiver silencioso o tear e as lançadeiras pararem de tecer,
Deus abrirá o tecido e explicará as razões.
Os fios escuros são tão necessários na habilidosa mão do Tecelão,
como os fios de ouro e prata no desenho que Ele planejou...

Corrie Tem Boon"

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Houve uma época na minha vida que a depressão tomou conta. Em 2009 estava com uma gravidez de risco e trabalhando dois períodos na rede pública, com uma turma de quarto ano pela manhã e outra de terceiro ano à tarde. Tomava os meus remédios para controlar a hipertensão e tudo ia bem, até que na semana da páscoa tudo começou a mudar. Por motivos que até hoje não consigo entender, mas que aprendi a aceitar perdi o sonho de uma nova vida, de uma casa perfumada e alegre com a presença de um bebê.

Me foquei no trabalho, mas sempre ao final de cada dia quando era hora de voltar para casa cometia as piores atrocidades no trânsito. Nunca coloquei a vida de terceiros em risco, mas a minha várias vezes esteve por um fio. Precisei de apoio psicológico, justo eu que nunca acreditara na psicologia. Fui a quatro sessões, porém os horários não eram compatíveis com o trabalho e fui buscar apoio na bíblia. me apeguei mais a Deus, mas ainda faltava alguma coisa.
Conforme terminava o meu luto, à medida em que a dor passava a ser saudade eu comecei a ficar apagada social e profissionalmente. Participava dos planejamentos escolares, mas o prazer de trabalhar na educação não era o mesmo de outrora. Sempre falei pouco e muito baixo, quem me conhece sabe que se eu ousar um grito fico afônica e não me importei quando algumas colegas de trabalho passaram a me ignorar. No ano seguinte fiz um propósito de que seria melhor profissional e também não traria trabalho para casa, pois afetava o meu casamento, já que o marido achava que a terapia tinha de continuar (eu via como alguns pais tratavam os filhos e pensava no que perdi).

Início do ano letivo em 2010. Salvei em cd todas as atividades de alfabetização que eu vira na internet e de coleções que comprei. Passei a uma das novas colegas com quem trabalharia naquele ano, crente de que ela repassaria as outras e isso não foi feito. Nos planejamentos fui sendo deixada de lado e tentei fazer o melhor trabalho possível. Nesse período também sofri um AVC causado por enxaqueca, cujo episódio já postei aqui. Apesar do apoio e amor incondicional do meu marido, fiquei abalada quando uma amiga também professora veio me questionar porquê eu fui acusada por alguém de não contribuir com comentários, com atividades, etc...

Apesar da mágoa, disse o que acontecera e comecei a ler de "cabo a rabo" os blogs que seguia. Foi quando notei na lateral do blog da Pepa e Vi o texto acima. Foi emocionante. Eu me identifiquei com os fios do tear e peguei como se fosse uma bússola e aliado com a fé que tenho em Deus passei a traçar novos planos, metas para ser mais ouvida, mesmo que fosse um dos fios escuros e talvez sem brilho. Funcionou? Talvez.
É uma luta diária por um sorriso no rosto e minha voz ser ouvida. Aprendo no dia a dia com meus alunos e colegas de trabalho. Posso dizer que hoje em dia tenho mais amigas no trabalho do que imaginei um dia. Dirijo com prudência.

Nós, marido e eu, ainda sonhamos em ter filhos, se não forem biológicos serão adotados - certa vez vi um depoimento de uma mãe que declarou: "Os filhos do coração podem não ter o seu sangue, mas têm o DNA da sua alma".
E assim vou seguindo a cada dia. Sei que o Tecelão ainda trabalha e por suas lançadeiras sou conduzida.

Bjs

Sandra Mara

P. S.: Preciso aprender a formatar texto no blog. Não gosto da aparência que fica quando clico em publicar.

9 comentários:

Monielle Mayane disse...

Você é uma guerreira e apesar de não ter esse tao sonhado filho de sangue você sabe que te amamos e sempre ajudou minha mãe a nos educar, devo muito a você, desde pequena você me ensinou que para sermos alguem na vida é preciso estudo e esforço,te admiro muito e te amo muito... dizem que sou mais parecida com você do que com minha mãe né... beijos <3

Pepa disse...

Sandra, que post lindo e incentivador !!

Quando li esse texto a primeira vez devia ter uns 20 e poucos anos e ele ficou marcado para sempre.
E nos momentos difíceis eu sempre me lembro que há um Tecelão, e que ele sabe quais cores usar na minha manta !!!

Obrigada por citar o Tacho aqui e saiba que sua amizade e carinho fazem muito bem á nossa alma e ao nosso coração !!!

Bjus 1000 querida

MARLENE disse...

Oi Sandra Mara,
Lindas palavras! Todos nós temos nossas lutinhas aqui nessa Terra, né? Mas, podemos contar com a ajuda do nosso Pai, que mesmo quando pensamos estar sozinhos, Ele está junto de nós!
Você é uma pessoa especial no seu jeitinho quieto e baixinho de falar e, acredite, fez muitas amigas depois daquele encontro em Santos, viu?
Ainda quero ler aqui a sua grande vitória!
Bjão,

Marlene

Jô Turquezza disse...

Oi Sandra, ainda não a conheço pessoalmente, não sei de onde vem o carinho enorme que tenho por você. Não sabia nada da sua vida e mesmo assim lhe considero muito.
Adorei este post, realmente o Tecelão sabe!
Beijos querida.

Mara Lucia Bechara disse...

Minha querida não precisa aprender a postar,texto perfeito de superação diária,como os tímidos sofrem se liberte,teça sua teia da vida....
os muitos extravagantes e espalhafatosos , também sofrem porque não tem medida(meu caso)e são encaminhados a terapia e sofrem de depressão,porque somos efusivos demais!!!
Sabe não fui para terapia ,fiquei um ano em depressão,e meditei muito....tudo na vida tem que ter meio termo....Temos que saber a hora de falar,calar,não ser sempre os centros das atenções,saber escutar.....eu sou o outro lado da moeda.Em Sampa nos conheceremos....
bjjss
meu cachixó

Elaine Gaspareto disse...

Ah, Sandra... as dores de todos nós... quem as pode conhecer, não é?
Seu texto é muito bonito. Humano, sentido, mas muito bonito.
Fala, no fundo, de vitórias, da sua vitória.
Então, minha querida, pode apostar que daqui pra frente tudo pode melhorar ainda mais.
O melhor, eu sempre digo, está por vir!
beijosssss

Crys Leite disse...

Oi Sandra!!

Você com seu jeito meigo e delicado me conquistou.

Desejo de coração que você consiga dar a volta por cima e realize todos os seus sonhos.

Se o tão sonhado filho não chegar pela barriga, vai chegar pelo coração.

Que Deus ilumine seus caminhos.

Beijos.

Silvana disse...

Nada a declarar. Ou sim: meus olhos encheram de lágrimas. Não pela sua dor, mas por ver seu reconhecimento de que sua tapeçaria tem um Construtor perfeito.
Fiquei sua fã e não só por isso.
Peço licença para me associar ao seu cantinho (com os erros de concordância que me são devidos, lógico). Mas se a licença não for dada, fico sócia assim mesmo. Espero de te verno Encontro de Setembro - mais perto que Santos.
Abraços, que trazem conforto e carinho a nossa vida.

Andreza Castela disse...

OI Sandra!
Eu acredito que tudo em nossa vida tem um propósito, nada é por acaso.
Só que ainda não estamos prontos ou preparados para decifrar e entender o que Deus está querendo nos dizer.
Cabe a cada um de nós, em nossa difícil jornada terrena, seguir em frente, haja o que houver.
E é exatamente isso que vc está fazendo.
Meu aplauso para vc.
Fiquei emocionada com sua história.
Deus abençoe.
Andreza Castela